Um dos suspeitos já tinha sido preso por outros crimes e comandante do 12º BPM fala sobre necessidade de alterar a legislação para tentar impedir recorrência na criminalidade
A polícia prendeu na manhã desta segunda-feira (23) dois jovens suspeitos de assassinarem o ex-vereador de Niterói Carlos Alberto Magaldi, do partido Solidariedade, de 67 anos, morto na última sexta-feira (20). De acordo com a Polícia Civil, a dupla foi capturada por agentes da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG), em diferentes horários, no Morro do Castro, no bairro Tenente Jardim, limite entre Niterói e São Gonçalo.
Contra Otacílio Barros de Lima Junior, de 21 anos, e Arielton de Aguiar Faria, de 20, foram cumpridos dois mandados de prisão expedidos pelo Plantão Judiciário do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, durante o final de semana. A dupla será encaminhada para o Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio.
O delegado titular da DHNISG, Fabio Barucke, disse que a identificação dos suspeitos foi realizada através de coleta de impressão digital da dupla, encontradas no veículo do político e no carro usado na fuga e da analise nas imagens de 17 câmeras de segurança da região onde ocorreu o assassinato.
Ainda segundo o titular da especializada, a morte de Magaldi não aconteceu de forma planejada pelos assaltantes. A dupla irá responder pelo crime de latrocínio (roubo seguido de morte).
"Eles são assaltantes e como o ex-vereador se assustou com toda ação da dupla, eles reagiram atirando contra o político. Na hora da fuga eles ainda arrumaram tempo para roupar outro veículo e recolher os pertences da segunda vítima", revelou Barucke.
Durante a prisão dos suspeitos, o delegado disse ter ficado surpreso com as declarações dos familiares de Arielton.
"A própria família de um dos presos afirma que não estava aguentando mais o envolvimento dele com esse tipo de crime. Os parentes disseram que toda semana ele aparecia com um carro diferente na porta de casa", disse o delegado.
Apesar de ter sido presa no Morro do Castro, a dupla ainda é suspeita de pertencer ao tráfico de drogas na comunidade do Novo México, no bairro do mesmo nome, em São Gonçalo. Ambos são oriundos da localidade e estavam escondidos na comunidade vizinha.
Combate a criminalidade e a legislação
Em junho do ano passado, durante um protesto em um dos acessos da comunidade Novo México, que teve como resultado final, três ônibus e um carro de passeio incendiados e mais de dez quilômetros de congestionamento nos dois sentidos da rodovia RJ-104, a Polícia Militar realizou a prisão de Otacílio Barros de Lima Junior, de 21 anos, no momento em que ele tentava fugir da localidade em direção ao Morro do Castro. Com ele a PM apreendeu uma pistola calibre 380.
Na ocasião os PMs disseram que ele seria um dos suspeitos de terem ordenado o protesto, em represália a morte de dois comparsas, durante uma ação do 7º BPM (São Gonçalo), no interior da comunidade do Novo México.
A informação foi passada pelo comandante do 12º BPM (Niterói), coronel Gilson Chagas, que ainda afirmou que em 2011, ele também teve passagem pela polícia, quando ainda era menor de idade. O jovem foi solto no início deste mês. O comandante do batalhão de Niterói reforçou a necessidade de leis atuais para impedir o aumento e a recorrência da criminalidade: “A nossa legislação criminal permite que dependendo da pena, se for de três a quatro anos, que o indiciado na maioria das vezes, seja libertado sem que ocorra o julgamento. O indivíduo nem precisa de um bom advogado para ter sua liberdade”, disse.
Segundo o delegado Fabio Barucke, Otacílio estava em liberdade condicional há apenas 19 dias: "Ele teve a oportunidade de aproveitar sua liberdade, mas escolheu mais uma vez o caminho errado", completou.
O Fluminense

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