quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Ex-diretora do Zoológico de Niterói negociava pinguins e tinha lista de preço de animais em casa
Giselda Candioto fala sobre o fechamento do Zoológico de Niterói
Giselda Candioto fala sobre o fechamento do Zoológico de Niterói Foto: Guilherme Leporace / 20.07.2011 / O Globo
Wilson Mendes
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A jiboia branca rara contrabandeada do Rio de Janeiro para os Estados Unidos pode ter saído do país dentro de uma barriga falsa de grávida. O disfarce chegou a ser testado pelo comprador do animal, um colecionador chamado Jeremy, que utilizou o artefato na sua irmã. No teste, no entanto, a barriga ainda vazia foi descoberta por uma comissária de bordo, no aeroporto de Manaus. De acordo com a Polícia Federal, a única jiboia branca encontrada na natureza no mundo foi retirada do Zoológico de Niterói e vendida pela então diretora da instituição, Giselda Candiotto, e seu marido, José Carlos Schirmer. Na casa deles havia uma lista de preços de animais e e-mail negociando pinguins.
- Não podemos afirmar como a cobra saiu do país. Na época, em 2009, pensamos que ele estava testando a barriga falsa como uma rota para tráfico de drogas. Hoje sabemos apenas que o animal saiu pela fronteira do estado de Roraima com a Guiana. Lá, ele conseguiu uma documentação para a cobra e a levou para os Estados Unidos - disse o delegado de Polícia Federal Franco Perazzoni.
A cobra, que desapareceu do Zoológico de Niterói, é mostrada em vídeos do colecionador Jeremy
A cobra, que desapareceu do Zoológico de Niterói, é mostrada em vídeos do colecionador Jeremy Foto: / Reprodução de TV
Giselda estava em Manaus na mesma época que Jeremy e teve contato com ele. No mesmo período, as contas bancárias dela tiveram uma movimentação de R$ 1 milhão, dos quais R$ 500 mil não foram declarados. O colecionador tentou embarcar num navio com a irmã utilizando a barriga falsa, mas foi impedido porque mulheres com mais de cinco meses de gravidez não são aceitas em cruzeiros. Ele tentou, então, sair pelo aeroporto de Manaus. Apesar de descoberta, a barriga estava vazia. Jeremy só deixou o país dias depois, pela cidade de Bonfim, em Roraima, com destino à Guiana.
- Ele ficou quatro meses na Guiana e despachou, para os Estados Unidos, 121 cobras, em quatro carregamentos. A branca, chamada de Princesa Diamante, provavelmente estava entre elas. Na Guiana, se você pega um animal na natureza, você pode conseguir a documentação para ele - explicou o delegado.
A investigação sobre a cobra já foi finalizada e a denúncia oferecida ao Ministério Público na última sexta-feira. O caso de Giselda, no entanto, está longe do fim. Quando os policiais chegaram até a casa dela, na última semana, encontraram no tablet trocas de e-mails nos quais aquários de outros países tentavam comprar pinguins, o que caracterizaria um esquema de venda de animais silvestres.
Giselda posa com um jacaré-do-papo-amarelo
Giselda posa com um jacaré-do-papo-amarelo Foto: Mônica Imbuzeiro / 21.08.2002 / O Globo
- Além dos e-mails, encontramos uma lista dos animais que estavam no Zoológico de Niterói com o preço de mercado ao lado. Em 2009, eram 635 animais no zoológico e quando foi fechado, em 2011, mais de 400 haviam sumido - revelou Perazzoni.
Com Giselda havia um revólver calibre 32 e um papagaio de espécie ameaçada de extinção. O advogado de Giselda e seu marido, apontado como articulador da venda de animais no exterior, não retornou os contatos feitos pelo EXTRA.
A cobra continua desaparecida. Um mandado de prisão preventiva foi emitido contra Jeremy. Na busca na casa do colecionador, nos Estados Unidos, não foi encontrada a cobra Princesa Diamante, mas pelo menos 20 filhotes dela estavam no local. O Ministério Público pedirá a repatriação de todos os animais.
Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/ex-diretora-do-zoologico-de-niteroi-negociava-pinguins-tinha-lista-de-preco-de-animais-em-casa-10285015.html#ixzz2hELmnxgK
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