segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Combate ao crack pelas ruas de Niterói terá reforço

‘Consultórios de rua’ devem ser implantados em até dois meses. Na Região Oceânica, imóvel vai abrigar a Unidade de Acolhimento Infanto Juvenil (UAI) O Programa ‘Crack é possível vencer’, projeto para tirar os usuários de crack das ruas e fornecer a eles tratamento de saúde e psicológico contará em breve com imóvel na Região Oceânica para abrigar a Unidade de Acolhimento Infanto Juvenil (UAI). A Fundação Municipal de Saúde está aguardando laudos ambientais necessários para que a UAI seja instalada no imóvel. Com isso, o programa ‘Consultórios de rua’, outra frente do projeto, deverá ser iniciada em dois meses. De acordo com a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, a área com maior número de população em ‘situação de rua’ em Niterói é o Centro, porém, no município todo há, aproximadamente, entre 100 e 130 pessoas nessas condições, considerando que se trata de população itinerante e bastante diversificada. Nessas vias encontram-se catadores, usuários de drogas, doentes mentais e até pessoas que trabalham em Niterói e só voltam final de semana para seus municípios. Niterói atualmente possui um serviço de acolhimento (Casa de Cidadania Florestan Fernandes) para adultos e famílias com 80 vagas. A população em situação de rua é encaminhada para acolhimento por meio de abordagem social realizada pela equipe do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, localizado à Rua Coronel Gomes Machado, 259. “A abordagem é feita de forma sistemática e qualificada com o objetivo de trabalhar a saída das ruas, muitas vezes em conjunto com outros parceiros municipais, como a Guarda Municipal e o Conselho Tutelar”, disse o secretário Municipal de Assistência Social, Bira Marques. Já a UAI foi planejada e será implantada de acordo com a portaria 121 de 2012 do Ministério da Saúde, e contará com dez vagas para tratamento de crianças e adolescentes que façam uso de crack ou outras drogas. A coordenação do projeto já está montada e já foram realizados treinamentos para os profissionais que atuarão na unidade, onde serão oferecidos atendimento psicoterápico em grupo e individual e assistência também para as famílias. Adequação – O programa “Crack é preciso vencer” visa atender à reivindicação de especialistas, que têm condenado a falta de investimentos públicos no combate às drogas. A internação compulsória também é criticada. O Assistente Social Fábio Maldonado, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que internações à força surtem pouco efeito. “Se pararmos para fazer uma análise, desde 2002 existe uma legislação no Brasil que criava os Centros de Atenção Psicossocial para álcool e drogas (CAPs), mas hoje quase não os encontramos. O governo federal, os estados e municípios não investiram. A grande questão da internação compulsória, de todo tratamento feito sem vontade, é que ele tem baixa eficácia”, afirma. O especialista ressalta ainda da importância dos consultórios de rua, que fazem a abordagem e criam vínculos com os usuários. Os Consultórios de Rua, inseridos no modelo Mais Saúde na Rua, do Ministério da Saúde, atenderão aos usuários em locais já mapeados pelas equipes de Saúde Mental das secretarias de Saúde e Assistência Social de Niterói. A iniciativa funcionará no campo da prevenção e vai trabalhar junto aos usuários com a estratégia de redução de danos. Esses consultórios serão formados por equipes multiprofissionais que vão desenvolver ações integradas com as unidades de saúde e os serviços de emergência e urgência. Na Casa de Cidadania, os acolhidos são acompanhados pela equipe técnica para a busca de novas perspectivas de vida e superação da situação de rua. Dentre a equipe do Centropop e da Florestan Fernandes são 50 funcionários, cujas escalas são dividas nos sete dias da semana, 24h por dia. Porém, já está sendo aberto processo seletivo para contratar novos educadores e técnicos (assistentes sociais e psicólogos) com o objetivo de intensificar a abordagem social e o acompanhamento. “Estamos construindo um Plano de Políticas Públicas para População em Situação de Rua, em pareceria com diversas secretarias municipais e a sociedade civil, por meio do Comitê Intergestor, com o objetivo de pensar as diversas faces da população em situação de rua, a totalidade da busca pela superação das dificuldades. No âmbito do acolhimento, triplicaremos o número de vagas com o processo de requalificação do centro da cidade, com expansão dos serviços de acolhimento para adultos, crianças e adolescentes e hotel popular”, explica Bira Marques.

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